O artigo revela o conteúdo dos chamados “Paraquat Papers” (Documentos do Paraquat), um conjunto de registos corporativos confidenciais obtidos através de processos judiciais que expõem as táticas utilizadas pela gigante química suíça Syngenta (e pelas suas predecessoras, como a ICI e a Chevron) para proteger as vendas mundiais do herbicida paraquat. Embora a empresa declare publicamente e junto dos reguladores que o produto é seguro e que não existem provas científicas que o associem à doença de Parkinson, os documentos internos mostram uma realidade diferente.
Desde as décadas de 1960 e 1970 que os cientistas destas empresas tinham conhecimento de que o paraquat se acumulava no cérebro e podia afetar o sistema nervoso central de animais, causando tremores semelhantes aos de Parkinson. Perante investigações científicas independentes e alarmantes, a Syngenta implementou estratégias de “influência” para mitigar ameaças comerciais, que incluíram a ocultação de dados desfavoráveis aos reguladores, tentativas ocultas de bloquear cientistas independentes em painéis consultivos da EPA (Agência de Proteção Ambiental dos EUA) e a criação de campanhas de relações públicas para refutar externamente a ligação à doença. O paraquat já foi banido em dezenas de países devido à sua toxicidade aguda e crónica, mas o seu uso continuou a crescer em locais como os Estados Unidos, resultando hoje em milhares de processos judiciais de pessoas que desenvolveram Parkinson após a exposição contínua ao produto.
Fonte: GILLAM, Carey; UTEUOVA, Aliya. Secret “Paraquat Papers” reveal corporate tactics to protect weed killer linked to Parkinson’s disease. The New Lede, 20 de outubro de 2022. Disponível em: https://www.thenewlede.org/2022/10/secret-paraquat-papers-reveal-corporate-tactics-to-protect-weed-killer-linked-to-parkinsons-disease/.
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